A CIDADE
TRAIRI ALDEIA
Os índios que perambulavam por Trairi em 1600, segundo o historiador Tristão de Alencar Araripe, eram os Anassés e Tabajaras, eram caçadores que não se aclimataram nas praias, indo para os sertões e serras onde formaram suas tabas.
Em 1608, só existia do Trairi, o rio, que nasce nas quebradas das serras e vem em rumo do litoral, até despejar no Atlântico, no local onde hoje chamamos Barra do Trairi. Neste local, ao passar dos anos, se formaram dois lugarejos, Cana Brava e Pedrinhas, habitados por descendestes de portugueses, índios e africanos, na sua maioria, portugueses e índios. Depois se estendeu por todo longo do rio, com a construção de casas, pelo Capitão-Mor, na colonização e pelos primeiros portugueses que aqui chegaram e construíram suas casas e a capela.
Trairi nasceu como aldeia em l608, com a chegada dos Pitiguaras às margens do rio de mesmo nome. Entre o século XVI e a metade do século XVII, ainda se encontrava nesta mesma situação. No final do Século XVII, começaram a chegar portugueses que se estabeleceram, constituindo famílias, os que não eram ainda casados.
A ocupação do município tem início em meados do século XVIII, quando os colonos Nicolau Tolentino, Marinheiro Cunha, Manuel Barbosa, Xavier de Sousa e Antônio Barros de Sousa que estabeleceram fazendas na região. Entre eles, como fundador do reduto, destaca-se João Verônica um bem sucedido colono, e ótimo construtor que ocupou uma área onde edificou sua casa de moradia, promovendo o aldeamento em torno da qual, a cerca de 9 km do mar, nasceria a povoação de Trairi.
TRAIRI VILA
A Vila de Trairi foi fundada em 12 de novembro de 1863. Foi seu primeiro Intendente o Coronel Antônio Barroso de Souza, da zona de Paracurú, no tempo do império.
Em vista de ingerência política negativa, o processo de elevação de Trairi a Vila foi prejudicado. Na primeira vez, durou apenas um ano. Foi extinta pela Lei nº 1110, de 1 de novembro de 1864. Em 1869, foi outra vez instituída a condição de Vila. Em 1869, pela Lei 1235 de 27 de novembro, a sede da Vila foi outra vez transferida, ficando sediada em Parasinho, na época adiado a Trairi, que elevada a Vila tomou o nome de Paracuru. Seis anos depois, em 1874, retorna Trairi a condição de Vila pela Lei 1604 de 14 de agosto. Deve-se isso ao acelerado processo de colonização. Passou a chamar-se Vila N. S. do Livramento. Pela Lei nº 1669 de 19 de agosto de 1875, foi confirmado o nome de trairi, por significar na língua indígena “Rio das Trairas”.
Em 19 de abril de 1913, pela Lei nº 1084 outra vez Trairi perdeu sua condição de Vila, sendo mais uma vez restaurada pela Lei nº 1181 de 23 de julho de 1914. Ainda uma vez suprimida pela Lei nº 1794 de 9 de outubro de 1920, ficando desta vez à Vila de Itapipoca. Nova restauração aconteceu pela Lei nº 2002 de 16 de outubro de 1922. Nove anos depois, pelo Decreto nº 193 a 20 de maio de 1931, foi definitivamente extinta a Vila de Trairi. Ficando pertencendo novamente a Itapipoca, depois a São Gonçalo e mais uma vez, junto com Paracurú, à Itapipoca. Até que, pelo decreto nº 64 de 7 de agosto de 1935 São Gonçalo foi elevado à categoria de cidade com o nome de Anacetuba, compreendendo também o Trairi.
TRAIRI CIDADE
Antes da emancipação para tudo dependíamos de Anacetuba (São Gonçalo do Amarante), foram tempos difíceis, décadas de escravidão. Até que uma nova geração de trairenses conseguiu elevar Trairi à categoria de cidade.
A sua evolução política é marcada por uma trajetória repleta de instabilidades, tendo sua emancipação política em 22 de novembro de 1951 e instalado em 25 de março de 1955. Aí então Trairi começou a desenvolver-se. Hoje temos quase tudo que o povo precisa nas áreas de educação, saúde, justiça. O setor turístico também avançou e temos visitantes que vem admirar nossas praias, nossa hospitalidade, nossa comida típica, nosso artesanato.
A vida política administrativa passou pelas mãos de diversos homens, que ao longo dos anos contribuíram para o crescimento do município, constituindo o nosso quadro de prefeitos, são eles:
Primeiro, Coronel Francisco Ribeiro da Cunha
Segundo, Raimundo Nonato Ribeiro
Terceiro, José Simões Granja
Quarto, Raimundo Nonato Ribeiro (segundo mandato)
Quinto, João Ferreira Pinto (interventor)
Sexto, Dr. José Silveira
Sétimo, Coronel José Araújo Filho
Oitavo, José Granja Ribeiro
Nono, Antonio Alves da Silva
Décimo, José Granja Ribeiro (segundo mandato)
Décimo Primeiro, Antonio Alves da Silva (segundo mandato)
Décimo Segundo, Manoel Barroso Neto
Décimo Terceiro, José Granja Ribeiro
Décimo Quarto, Manoel Barroso Neto (segundo mandato)
Décimo Quinto, Mário Freire Ribeiro
Décimo Sexto, Olga Nunes Freire Ribeiro
Décimo Sétimo, Jonas Henrique de Azevêdo
Décimo Oitavo, Henrique Mauro de Azevêdo
Décimo Nono, Jonas Henrique de Azevedo (segundo mandato)
Vigésimo, Jaime Marques Nogueira
Vigésimo Primeiro, Marilac Martins
Vigésimo Segunda, Henrique Mauro de azevêdo (segundo mandato)
Vigésimo Terceiro, Josimar Moura Aguiar
TRAIRI PARÓQUIA
Trairi tem uma história muito bonita. Assim como o Brasil, nasceu à sombra da Cruz. O Ceará nasceu cristão. Trairi, o protagonista da nossa história, nasceu à sombra da Fé, pois casualmente, Nossa Senhora do Livramento o descobriu e fez dele o seu reinado. No fim do Século XVII, uma rica senhora portuguesa, viajando em alto mar, levava um navio carregado de farinha de trigo e barras de ouro, a caminho dos paises indianos. Pegou em alto mar um grande temporal, durante três dias. O comandante não sabendo o que fazer disse à proprietária que era preciso jogar toda a carga no mar, se não o navio poderia afundar, o que ela fez prontamente, mas de nada adiantou. Então D. Maria Furtado Mendonça, ou Ir. Maria de Jesus e José, religiosa de fé e muito devota de N. S. do Livramento, padroeira de sua cidade em Portugal, ajoelhou-se , no pé do mastro quebrado e fez a N. Senhora uma promessa que, onde ela ancorasse com vida junto a sua tripulação, mandaria fazer uma igreja e traria depois uma imagem da Santa e faria propagar nesse lugar a devoção à N. S. do Livramento. Enquanto ela orava aflita, a chuva, o vento, o temporal foram passando. O navio ficou a mercê das ondas, vindo a encostar, pela manhã, numa praia desconhecida, com sol vivo e lindo, onde hoje é Flecheiras e Guajirú, entre as duas.
Ela, sem tomar nenhuma refeição, deixou-os cuidando do navio, chamou um marujo e lá se foi pelos morros e encosta atrás de uma cabana para pagar a promessa. Encontrou um pescador que morava na beira de um rio (trairi) e que fora ali pescar. Ela em poucas palavras contou-lhe o desastre e a promessa que fizera, e da necessidade que tinha de paga-la. Procuraram o Coronel deste lugar o qual a ajudou a apagar a promessa, Ela retorna a Portugal e deixa uma quantia de 25 libras para a construção da igreja. Meses depois ele desembarca na barra do Trairi trazendo a imagem no andor carregada por ela, pelo o comandante, pela a tripulação e por alguns moradores.
Foi assim a chegada de N.S. do Livramento, nossa querida padroeira e de D. Maria Furtado de Mendonça.
Ficando instalada a paróquia em 14 de agosto de 1874, sendo nosso primeiro vigário Padre José da Silva Carvalho.
TRAIRI FAMÍLIAS
João Verônica
Joaquim Tomás da Cunha
Francisco Galdino da Silva
Francisco Xavier de souza
Martins
Nicolau Tolentino Chaves
José Francisco Pereira
Isaias
Manoel Francisco Pereira
Coronel Antônio Barbosa de Sousa
Francisco de Oliveira Castro
Manoel Barbosa de Amorim
Coronel Bernardo de Almeida Soares
Luiz Ferreira da Cunha
Mendes Pontes Barbosa
Granja Ribeiro
Moreira Braga
Gordiano do Nascimento
Barbosa
Andrade lucas
Pena
Lopes dos Reis
Maia
Machado e Gouveia
Fonte: Livro História de Minha Terra – Como Nasceu Trairi
Autora Maria Pia de Sales – Gráfica e Editora LCR